
Tocantinópolis (TO) — Na última quinta-feira (21), o Auditório Vigilante Adão Ribeiro, na Unidade Babaçu, recebeu mais uma edição do Cineclube Educação em Direitos Humanos, promovido pelo Subprojeto Interdisciplinar II – Pedagogia e Ciências Sociais – Educação em Direitos Humanos, coordenado pela professora Silene Ferreira Claro. O encontro reuniu bolsistas e estudantes de diferentes cursos do Centro de Educação, Humanidades e Saúde da Universidade Federal do Norte do Tocantins (CEHS/UFNT), em um espaço de diálogo sobre memória, resistência e justiça social.
A atividade contou com a exibição do filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, vencedor do Oscar em 2025, que retrata a trajetória da advogada Eunice Paiva, defensora dos direitos humanos e dos povos indígenas, além de esposa do deputado Rubens Paiva, desaparecido político durante a ditadura militar brasileira, em 1971.
O debate posterior foi conduzido pelas pibidianas Fernanda Sousa e Mykaella Luz, que mediaram as falas do público e destacaram a resistência feminina de Eunice Paiva, que, mesmo diante da perda do marido e da violência política, manteve-se atuante na defesa de causas sociais e dos direitos dos povos indígenas. Sua atuação foi ressaltada como central na construção de uma agenda democrática, articulando com intelectuais como Manuela Carneiro da Cunha e influenciando a inclusão inédita dos direitos indígenas na Constituição de 1988.
O encontro também destacou o Relatório Figueiredo, documento histórico que denunciou massacres, trabalhos forçados e perseguições sistemáticas contra povos indígenas durante a ditadura, reforçando que a repressão não se restringiu à perseguição de opositores políticos urbanos, mas incluiu um projeto de violência sistemática contra comunidades tradicionalmente invisibilizadas.
Estudantes indígenas do povo Apinajé e de outras etnias compartilharam reflexões sobre os impactos históricos e contemporâneos da ditadura em seus territórios, lembrando episódios da chamada “guerra na Transamazônica”, quando comunidades sofreram expulsões, perseguições e mortes devido à abertura da rodovia e à política de integração nacional do regime militar. Suas falas evidenciaram a continuidade das consequências do autoritarismo e a necessidade de manter viva a memória desses eventos.
O Cineclube proporcionou um espaço intercultural e intergeracional de reflexão, reforçando a memória histórica como forma de resistência política e evidenciando o cinema como ferramenta pedagógica na promoção da educação em direitos humanos. A atividade concluiu-se como um ato simbólico de resistência, inspirado na trajetória de mulheres como Eunice Paiva, que transformaram a dor em luta, reafirmando o compromisso coletivo com a defesa da democracia, da justiça e dos direitos humanos e destacando o papel da educação como prática social de emancipação.
Texto: Fernanda Pereira de Sousa e Mykaella Martins Luz da Silva
Foto: Paulo Vitor Pereira de Araújo