Universidade Federal do Norte do Tocantins

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Saúde mental

Setembro Amarelo reforça a importância de reconhecer sinais sutis e oferecer acolhimento

publicado: 11/09/2026 10h56,
última modificação: 11/09/2026 10h56

Araguaína (TO) -Setembro Amarelo marca um período de mobilizações e campanhas voltadas para o enfrentamento ao suicídio. Para Lorena Reinaldo, psicóloga e residente multiprofissional em Saúde Coletiva do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil), quando se trata de prevenção é necessário estar atento a sinais muito sutis.

“Mudanças comportamentais, oscilações de humor e até o silêncio. A melhor forma de agir é oferecer uma escuta empática e sem julgamentos, o que frequentemente significa não dar respostas prontas, mas ter a sensibilidade de sustentar a dor do outro apenas estando presente e ouvindo”.  

No âmbito hospitalar, o momento assume características específicas, com o intuito de ampliar o debate sobre o tema entre os profissionais de saúde e atender aos fluxos de cuidado aos pacientes.

Na assistência ao leito, o psicólogo atua criando um espaço de escuta qualificada para o sofrimento psíquico, permitindo que o paciente dê vazão à sua dor. Já na atuação junto aos profissionais, Lorena enfatiza a necessidade do olhar de cuidado para quem cuida. “Diante do desgaste emocional, da sobrecarga e das exigências diárias, os profissionais de saúde também necessitam de acolhimento e escuta”, afirma.

Os dados mais recentes sobre suicídio no Brasil, registrados por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (MS), apontam mais de 11.000 casos em 2015 e 16.463 ocorrências em 2023. Com isso, segundo o MS, o quantitativo de suicídios aumentou aproximadamente 47% no país, no período citado.

Em termos globais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o suicídio como a 17ª causa de morte entre homens, mulheres e crianças, se consideradas todas as faixas etárias (entre 5 e 80 anos). Essa posição salta para o 3º lugar quando se trata do público jovem, que compreende pessoas com idade entre 15 e 29 anos, sendo os homens o grupo com maior incidência de casos. A OMS indica também um retrato mais ampliado, destacando aspectos como as desigualdades sociais, um fator preponderante desse contexto.

Diante desse cenário, o acesso à informação de qualidade, à escuta acolhedora e ao tratamento especializado contribui para a prevenção. Entretanto, Lorena chama atenção para pontos mais profundos a serem considerados, como a compreensão do indivíduo em suas próprias complexidades, além das complexidades de seu entorno.

“Viver exige coragem diária, pois viver é encarar o inevitável desamparo que faz parte da condição humana. A dor e o sofrimento são reais, e a prevenção não significa oferecer promessas ilusórias de que ‘tudo ficará bem’, mas sim lembrar que ninguém precisa sustentar o peso da existência solitariamente. Prevenir o suicídio é construir pontes e redes de afeto para que a vida volte a ser um lugar de possibilidade e de sentido, e não de mero suportar”, finaliza.

Informação também é prevenção

É possível encontrar, neste link, informações detalhadas sobre suicídio e lesões autoprovocadas publicadas no último Boletim Epidemiológico sistematizado pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS. O Ministério também disponibiliza informações sobre prevenção, sinais de alerta e serviços de assistência especializada, que podem ser acessadas neste endereço.

Sobre a HU Brasil

O HDT-UFNT integra a Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

Por Manuela Pereira, com edição de Maria Carvalho Costa

Unidade de Imprensa Regional Nordeste e Norte (UIRNN)

Gerência Executiva de Comunicação Social (GECS) da HU Brasil