
Tocantinópolis (TO) – A Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), por meio do Centro de Educação, Humanidades e Saúde (CEHS), realizou na última sexta-feira (30), a roda de conversa “Nunca mais sobre nós, sem nós”, no auditório da Unidade Babaçu, como parte da programação do Abril Indígena.
O evento reuniu lideranças indígenas do povo Apinajé, estudantes, professores e membros da comunidade acadêmica, em um importante espaço de diálogo intercultural. Entre os convidados, estiveram José Ribeiro da Silva (Zé da Doca), ancião e cacique da Aldeia Butica; Joel Dias Apinajé, cacique da Aldeia Prata; Julio Kamer Ribeiro Apinajé, representante da Superintendência Regional de Educação de Tocantinópolis; e Maria Aparecida Pereira da Silva, coordenadora local do Parfor.

A atividade destacou-se pelo forte protagonismo estudantil em sua concepção e organização, envolvendo discentes dos cursos de Direito, Pedagogia Intercultural Indígena (Panhi) e Pedagogia, que atuaram ativamente na articulação com as lideranças, na mobilização do público e na condução do evento. A iniciativa foi organizada de forma integrada pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEAFI), pelo curso de Pedagogia Intercultural Indígena (Panhi), pelo projeto de extensão “Direito Vivo”, vinculado ao Componente Curricular de Extensão V (CCEX) do curso de Direito, e pelo projeto de extensão “Panhime”, inserido no Programa de Extensão ConViva! e vinculado ao curso de Pedagogia.
A ação teve como principal objetivo promover a escuta ativa das lideranças indígenas, reconhecendo a importância de seus saberes, experiências e perspectivas na construção de uma universidade mais inclusiva, democrática e comprometida com a diversidade cultural. Ao mesmo tempo, constituiu-se como uma experiência formativa concreta, em que os próprios estudantes assumiram papel central na mediação entre universidade e comunidade, fortalecendo sua formação crítica e cidadã.
Durante o encontro, as lideranças Apinajé compartilharam reflexões sobre a importância da participação dos povos indígenas nos espaços de decisão, reforçando que não é possível discutir políticas, educação ou direitos indígenas sem sua presença e protagonismo. As falas também evidenciaram os desafios enfrentados pelas comunidades indígenas e a necessidade de fortalecimento de vínculos institucionais baseados no respeito e na escuta.
A atividade reafirma o compromisso da universidade com a promoção dos direitos dos povos indígenas, com a valorização da diversidade cultural e com a construção de práticas acadêmicas mais interculturais e socialmente responsáveis, ao mesmo tempo em que evidencia o papel transformador do protagonismo estudantil nesse processo.



