
Florianópolis (SC) – A Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) participou, na última sexta-feira (10), da reunião do Colégio de Gestores de Relações Internacionais das Instituições Federais de Ensino Superior (CGRIFES 2026), realizada na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O encontro reuniu representantes de universidades federais de todo o país e se consolidou como um espaço estratégico de diálogo e construção de políticas voltadas ao fortalecimento da internacionalização no ensino superior brasileiro.
A UFNT foi representada pelo vice-reitor Nataniel Araújo, pela coordenadora de Internacionalização Lilyan Rosmery e pela coordenadora de Línguas e Interculturalidade Miliane Vieira, que acompanharam as discussões e contribuíram para o intercâmbio de experiências e práticas institucionais na área.

Um dos destaques da programação foi a palestra “Multilinguismo e gestão: o lugar das línguas na internacionalização”, ministrada pelo professor Gilvan M. de Oliveira. Em sua exposição, o docente apresentou reflexões sobre o papel das línguas no cenário acadêmico global, evidenciando que, embora o mundo seja marcadamente multilíngue, as universidades ainda concentram a produção e a circulação do conhecimento em um número restrito de idiomas.
De acordo com o palestrante, essa limitação contribui para a manutenção de desigualdades no acesso ao conhecimento, especialmente entre comunidades linguísticas menos representadas. Nesse contexto, foi destacada a relevância de iniciativas como a Cátedra UNESCO em Política Linguística, sediada na UFSC, que atua na promoção do ensino e da pesquisa em língua portuguesa, articulando-se a temas como mediação intercultural, direitos humanos, migração e democratização do conhecimento.
A palestra também enfatizou o caráter estratégico das línguas no processo de internacionalização, abordando-as não apenas como instrumentos de comunicação, mas como elementos geopolíticos, econômicos e culturais. Sob essa perspectiva, o multilinguismo foi apontado como condição essencial para a construção de uma internacionalização mais inclusiva, equitativa e alinhada às demandas contemporâneas.
Outro ponto abordado foi o impacto das tecnologias digitais, especialmente da inteligência artificial, na circulação do conhecimento. Segundo o expositor, ferramentas de tradução tendem a ocupar papel cada vez mais central, ampliando as possibilidades de acesso à produção científica e favorecendo a participação de diferentes comunidades no cenário global.
No contexto brasileiro, foi ressaltada a diversidade linguística do país, ainda subaproveitada nas estratégias institucionais, e a necessidade de fortalecimento de políticas linguísticas mais consistentes. Línguas como o português, o espanhol e as línguas indígenas foram apontadas como fundamentais tanto para a integração regional quanto para a inserção internacional das universidades.
Como encaminhamento prático, foi apresentado o modelo OMNI — online, multilíngue, multidisciplinar e interinstitucional —, que propõe caminhos para uma internacionalização mais colaborativa, acessível e conectada.
Para o vice-reitor, a participação da UFNT no CGRIFES 2026 reafirma o compromisso institucional com a ampliação das estratégias de internacionalização, valorizando a diversidade linguística, promovendo o acesso ao conhecimento e fortalecendo a cooperação acadêmica em âmbito nacional e internacional.
