Universidade Federal do Norte do Tocantins

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ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO

UFNT promove mostra de curtas-metragens sobre educação nos sistemas penal e socioeducativo

Atividade reuniu estudantes, professores e profissionais da área para discutir o direito à educação em contextos de privação de liberdade e fortalecer a formação docente.

publicado: 05/11/2026 09h52,
última modificação: 05/11/2026 09h52

Araguaína (TO) – A Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) realizou, na noite de 29 de outubro, uma mostra de curtas-metragens em celebração ao Dia Internacional da Educação em Prisões 2026. A atividade ocorreu no auditório do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Língua e Literatura (PPGLLIT), no Centro de Ciências Integradas (CCI), como parte das ações da disciplina “Educação em Contexto de Privação de Liberdade”, ofertada pelo curso de Letras e ministrada pela professora Valéria Medeiros, assessora da Reitoria para os Sistemas Penal e Socioeducativo.

A programação reuniu estudantes dos cursos de Letras, Biologia e Química, professores, profissionais que atuam nos sistemas penal e socioeducativo e representantes da administração da Universidade. A iniciativa teve como objetivo dar visibilidade às experiências educacionais desenvolvidas no Colégio Estadual Sonho de Liberdade, localizado na Unidade de Tratamento Penal Barra da Grota (UTPBG), e na Unidade de Semiliberdade de Araguaína (USL), além de promover o diálogo sobre os desafios para garantir o direito à educação nesses espaços.

Na abertura, o reitor da UFNT, Airton Sieben, destacou a importância da disciplina para a formação inicial dos estudantes e ressaltou o compromisso institucional com a atenção aos sistemas penal e socioeducativo, reforçado pela criação da Assessoria da Reitoria. Segundo ele, a Universidade pode contribuir para enfrentar problemas sociais e participar da construção de políticas públicas.

Foram exibidas as produções “O direito de recomeçar”, da Defensoria Pública do Estado do Tocantins (2013), e “Meio Aberto”, da organização Visão Mundial (2022), além de uma entrevista com a juíza da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, Vanessa Cavalleri, sobre a participação de adolescentes em crimes violentos nas redes sociais. Após as exibições, o público participou de uma conversa com profissionais convidados, que compartilharam experiências e responderam a perguntas sobre medidas socioeducativas e a Educação de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (EJA PPL).

Formação docente e garantia de direitos

A professora Valéria Medeiros, que desde 2014 desenvolve ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à educação em prisões, explicou que a disciplina busca aproximar os licenciandos de profissionais que atuam diretamente nesses contextos. “Nosso objetivo é oferecer formação inicial específica para a Educação em Prisões, aproximando os licenciandos de profissionais que atuam diretamente nos sistemas penal e socioeducativo. Nossos estudantes aprendem com quem faz”, destacou.

A programação da disciplina também contou com a participação de pesquisadores e profissionais que compartilharam suas experiências e estudos sobre o tema. Entre eles, o professor da Unitins e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Território (PPGCULT) Ennio S. Barros, que apresentou pesquisa sobre saúde na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), em Imperatriz (MA); a pedagoga e agente especialista do Sistema Socioeducativo Maria José dos Santos Silva, doutoranda do PPGLLIT, que abordou a remição penal pela leitura; e o pesquisador Wechilley Rodrigues Lopes, também doutorando do PPGLLIT e professor da rede estadual de ensino.

Para Wechilley, a atividade reforça a importância de abordar a educação nos sistemas penal e socioeducativo durante a formação inicial de professores. “Qualquer professor da educação básica pode receber alunos em cumprimento de medidas socioeducativas ou egressos desses sistemas”, observou, ao defender que a disciplina seja ofertada em todos os cursos de licenciatura.

A participação dos estudantes de Ciências Biológicas também foi destacada pelo professor Yonier Alexander Orozco Marín, diretor de Internacionalização da UFNT. Para ele, a mostra proporcionou uma experiência de formação crítica e cidadã, permitindo aos acadêmicos refletir sobre a educação como direito humano fundamental, que deve ser garantido também às pessoas privadas de liberdade.

Durante o encontro, a professora Kaliny Alves Miranda Reis compartilhou experiências sobre o trabalho pedagógico realizado na Unidade de Tratamento Penal Barra da Grota, destacando o envolvimento dos estudantes nas aulas e as particularidades da organização dos espaços de ensino. O diretor do Colégio Estadual Sonho de Liberdade, Walter Viana, apresentou os desafios da oferta da EJA PPL, enquanto a coordenadora pedagógica Rosália Coutinho ressaltou a importância do reconhecimento do trabalho desenvolvido pela equipe escolar.

“Estar aqui, ver nosso esforço sendo reconhecido e celebrado, nos enche de força e reafirma nosso propósito. Seguimos acreditando que a educação é a chave para novas possibilidades, mesmo nos contextos mais desafiadores”, afirmou Rosália.

O agente socioeducativo Marcos Bejamim de Queiroz também destacou a importância da aproximação entre a Universidade e os profissionais que atuam na área. Para ele, momentos como esse contribuem para desconstruir preconceitos e sensibilizar futuros professores sobre os desafios enfrentados por pessoas privadas ou restritas de liberdade no acesso a direitos fundamentais.

UFNT anuncia criação de núcleo de estudos

Ao encerrar a programação, Valéria Medeiros reafirmou o compromisso da Universidade com a continuidade das ações voltadas à educação em prisões e com a participação na elaboração de políticas públicas para a área no Tocantins.

“A melhor forma de celebrar o Dia da Educação em Prisões é estar em sala de aula, com professores, equipe técnica e alunos em formação. Essa é a base para construirmos um futuro em que a educação nas prisões seja inclusiva, de qualidade e capaz de oferecer o que muitos não tiveram antes de estarem em uma cela”, afirmou.

Na ocasião, a professora anunciou a criação do Núcleo de Estudos em Educação e Leitura no Cárcere (NEELC), que terá como propósito reunir profissionais e pesquisadores para fortalecer estudos, debates e iniciativas sobre a temática, com articulação local, nacional e internacional.

A mostra de cinema integrou universidade, escolas e profissionais dos sistemas penal e socioeducativo por meio da cultura e do diálogo. A iniciativa reforça o compromisso da UFNT com a democratização do acesso à educação, à leitura e à cultura, além da formação de profissionais preparados para atuar em diferentes realidades sociais.