
Araguaína (TO) – A Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), por meio da Divisão de Atenção Psicossocial, realizou, nesta quinta-feira (29), a mesa de debate “Ser jovem, autista e universitário: diálogo sobre identidade, pertencimento e autonomia”. A atividade ocorreu na sala 43 do prédio da Reitoria e foi mediada pelo psicólogo Antonio Hugo Rabelo de Castro.
O encontro teve como objetivo analisar as implicações de ser uma pessoa autista no contexto universitário contemporâneo, com foco na identificação de necessidades específicas de estudantes autistas, bem como nas barreiras relacionadas ao acesso, à permanência e à inclusão no ensino superior.
Participaram como debatedores o psicólogo João Victor Corrêa Farias, com atuação clínica na área de Análise do Comportamento Aplicada (ABA), e a psicóloga Marcya Eduarda, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura e Território (PPGCULT/UFNT), com experiência na gestão do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Durante o debate, foram abordados aspectos relacionados aos direitos das pessoas autistas no acesso à universidade pública, os desafios do diagnóstico — especialmente em casos tardios — e as barreiras institucionais e socioculturais que impactam a inclusão. Também foram problematizadas concepções estereotipadas acerca do espectro autista, como a associação generalizada à superdotação ou a habilidades excepcionais.
Entre os pontos destacados, discutiu-se a persistência de estereótipos restritos, frequentemente associados a perfis específicos, o que pode dificultar o diagnóstico e o acesso a serviços, especialmente entre mulheres, pessoas negras e indivíduos em contextos de maior vulnerabilidade social. Nesse sentido, foi ressaltada a subnotificação de casos e os desafios no reconhecimento do autismo em diferentes perfis.
A psicóloga Marcya Eduarda compartilhou sua trajetória pessoal e profissional, abordando aspectos relacionados ao autoconhecimento, às experiências no ambiente acadêmico e às dificuldades enfrentadas no cotidiano, como a interpretação de interações sociais e a rigidez cognitiva. A fala contribuiu para ampliar a compreensão sobre a diversidade de vivências no espectro autista.
O debate também evidenciou que, embora haja presença significativa de estudantes autistas na educação básica, apenas uma parcela reduzida alcança o ensino superior, o que aponta para fragilidades nos processos de transição e permanência educacional.
A atividade contou com a participação de estudantes do curso de Pedagogia, acompanhados pela professora Esmeralda Figueira Queiroz. O público contribuiu com questionamentos e relatos, evidenciando o interesse e a preocupação com o papel da universidade na promoção da acessibilidade e da inclusão.
Ao final, destacou-se a importância da atuação institucional e da articulação com a comunidade local para o fortalecimento de redes de apoio, ampliando o acesso a serviços de diagnóstico, cuidado e educação, e contribuindo para a construção de um ambiente acadêmico e social mais inclusivo.

