Universidade Federal do Norte do Tocantins

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FORMAÇÃO DOCENTE

Estudantes de Pedagogia do CEHS/UFNT visitam museu e aprofundam conhecimentos sobre povos tradicionais

Atividade realizada em Imperatriz (MA) integrou a disciplina História para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental e promoveu reflexões sobre educação patrimonial, memória, identidade e valorização dos povos indígenas.

publicado: 27/10/2026 11h19,
última modificação: 27/10/2026 11h25

Estudantes do quarto período do curso de Licenciatura em Pedagogia do Centro de Educação, Humanidades e Saúde (CEHS), da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), em Tocantinópolis, participaram, no dia 22 de outubro de 2026, de uma visita monitorada ao Centro de Pesquisa em Arqueologia e História Timbira (Museu CPAHT), em Imperatriz (MA). A atividade integrou a programação da disciplina História para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, ministrada pela professora Silene Ferreira Claro, e teve como foco a educação patrimonial no ensino de História, em uma perspectiva interdisciplinar.

O Museu CPAHT é resultado de ações de pesquisa e extensão desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos Africanos e Indígenas (NEAI) da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL). A estrutura física do centro também foi viabilizada por meio de parceria entre a universidade, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a empresa Suzano de Papel e Celulose.

A proposta da visita foi estimular o olhar investigativo dos futuros pedagogos e pedagogas sobre a história, a memória e as marcas culturais presentes nos territórios. Antes mesmo de chegar ao museu, os estudantes receberam uma atividade investigativa que começou durante o trajeto de ônibus, com a observação da paisagem e a identificação de marcas da ação humana e de suas consequências para diferentes populações.

Durante a visita, acompanhada por uma estagiária do museu, a turma foi convidada a refletir sobre a cultura popular e sertaneja e sobre as contribuições dos povos indígenas, africanos e colonizadores para a formação cultural da região. Objetos presentes no cotidiano de muitas comunidades, como pilões, cabaças, estruturas de taipa e utensílios de palha, foram utilizados para discutir conhecimentos, práticas e influências culturais que atravessam gerações.

Em outro espaço expositivo, os estudantes conheceram artefatos arqueológicos que evidenciam a presença dos povos originários na região muito antes da chegada dos colonizadores. O acervo também inclui réplicas que podem ser manuseadas e integram um kit educativo utilizado com estudantes da educação básica. A experiência possibilitou discutir a importância da arqueologia para o conhecimento da história dos territórios e para a proteção dos direitos de povos indígenas e quilombolas.

A visita também contemplou uma exposição dedicada a diferentes etnias que integram os povos Timbira, entre elas Apanyekrá, Apinayé, Rankocamekra, Gavião Parkatejê, Krahô, Krikati e Gavião Pykopjê. Os estudantes observaram artefatos de palha utilizados para armazenamento e em rituais, objetos relacionados à corrida de toras, seus significados culturais, além de instrumentos como flechas e lanças.

O percurso foi concluído em um setor dedicado às expressões rituais de alguns povos Timbira, incluindo cerimônias relacionadas à passagem para a vida adulta de meninas e meninos. O espaço reúne objetos doados por diferentes povos para compor o acervo e ampliar o conhecimento sobre suas práticas culturais e formas de organização social.

A atividade teve como objetivo sensibilizar os futuros docentes para a importância de valorizar as histórias, memórias e identidades dos povos tradicionais, contribuindo para a formação de profissionais preparados para reconhecer e combater diferentes formas de discriminação. A proposta também buscou incentivar uma postura crítica e investigativa em relação ao meio em que vivem, demonstrando que a educação patrimonial pode ser desenvolvida no entorno das próprias escolas, a partir da escuta das comunidades e do reconhecimento de histórias que nem sempre estão presentes nos livros didáticos.

A experiência no Museu Timbira reforça a importância de aproximar a formação docente dos espaços de memória, pesquisa e preservação cultural. Ao conhecer diferentes acervos e narrativas, os estudantes ampliam suas possibilidades de abordagem dos conteúdos históricos e podem reconhecer outras formas de atuação profissional para além da sala de aula.

Conheça o Centro de Pesquisa em Arqueologia e História Timbira (Museu CPAHT): https://museucpaht.uemasul.edu.br/

Texo: Silene Ferreira Claro com revisão de Sheylene Alves e Daianni Parreira
Fotos: Silene Ferreira Claro