
Tocantinópolis (TO) – O Projeto Casulo, que atua no enfrentamento da violência contra a mulher por meio da realização de grupos reflexivos com homens autores de violência e de ações educativas junto à juventude, e o Projeto Direito Vivo, vinculado ao Componente Curricular de Extensão V (CCEx) do curso de Direito do Centro de Educação, Humanidades, e Saúde (CEHS) da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), uniram esforços na promoção de oficinas educativas voltadas a estudantes do ensino médio, em parceria com o Centro de Ensino Médio Darcy Marinho.
A proposta buscou promover espaços de diálogo e reflexão com adolescentes do sexo masculino, reconhecendo a importância da prevenção e da formação crítica desde a educação básica para a construção de relações mais igualitárias e respeitosas.
As atividades foram desenvolvidas conjuntamente por estudantes do curso de Direito e integrantes do Projeto Casulo, sob coordenação da professora Aline Campos e do professor Thiago de Melo Barbosa, envolvendo cerca de 20 estudantes da escola parceira. Ao longo de três oficinas, os participantes foram convidados a refletir sobre questões relacionadas às desigualdades de gênero, aos modelos de masculinidade socialmente construídos e aos impactos dessas construções na vida dos próprios homens e das mulheres.
A primeira oficina abordou a necessidade de refletir, questionar e desconstruir problemas sociais estruturais, especialmente aqueles relacionados ao machismo e às desigualdades de gênero. Por meio de dinâmicas e debates, os participantes foram incentivados a refletir sobre comportamentos, crenças e expectativas sociais sobre o que é ser homem, muitas vezes aprendidos e reproduzidos ao longo da vida, contribuindo para a manutenção de relações marcadas pela violência, discriminação e desigualdade.

Na segunda oficina, o foco esteve voltado às discussões sobre masculinidades. Os estudantes debateram os limites impostos pelo modelo de masculinidade hegemônica, frequentemente associado à ideia de força, invulnerabilidade, competitividade e controle emocional. Em contraposição, foram apresentadas reflexões sobre a existência de masculinidades diversas, reconhecendo múltiplas formas de ser homem, mais abertas ao cuidado, ao respeito às diferenças e à construção de relações saudáveis e não violentas.
A educação emocional e o autoconhecimento também estiveram entre os temas centrais. Os participantes foram convidados a refletir sobre a importância de reconhecer, compreender e expressar sentimentos, problematizando a ideia de que meninos e homens não devem demonstrar emoções. As discussões evidenciaram como a repressão emocional pode gerar sofrimento e dificultar a construção de vínculos afetivos, ao mesmo tempo em que reforça padrões de comportamento associados à violência.
A terceira oficina foi desenvolvida por meio da metodologia do júri simulado, possibilitando aos estudantes analisar criticamente situações concretas e exercitar a argumentação. A dinâmica promoveu reflexões sobre as relações entre violência contra a mulher, homofobia e transfobia, evidenciando como diferentes formas de violência e discriminação possuem raízes comuns em estruturas sociais que valorizam determinados padrões de gênero e desqualificam tudo aquilo que se afasta deles.
Para os acadêmicos envolvidos, a experiência representou uma importante oportunidade de formação prática e interdisciplinar, reunindo estudantes dos cursos de Direito e Pedagogia em torno de um desafio comum: pensar estratégias educativas para a prevenção das violências e a promoção dos direitos humanos. O diálogo entre diferentes áreas do conhecimento possibilitou a articulação de perspectivas jurídicas, pedagógicas e sociais, enriquecendo tanto o planejamento quanto a execução das oficinas.
A parceria entre o Projeto Direito Vivo, o Projeto Casulo e o Centro de Ensino Médio Darcy Marinho reafirma a importância da extensão universitária como espaço de diálogo entre universidade e comunidade, fortalecendo ações educativas voltadas à construção de uma cultura de respeito, igualdade e prevenção das violências.
