
Palmas (TO) – Estudantes e professores dos cursos de Pedagogia Intercultural Indígena (Panhī), Direito e Pedagogia do Centro de Educação, Humanidades e Saúde (CEHS) da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) participaram, na última secta-feira (17), da roda de conversa “Ancestralidade, identidade e justiça histórica em pauta”. O encontro foi realizado no campus Palmas do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) e integrou a programação acadêmica voltada ao debate sobre políticas afirmativas.
A atividade foi organizada pelo Laboratório de Estudos Etnoterritoriais (LabEtnoterritorial) e pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) do IFTO, com apoio do Ministério dos Povos Indígenas, reunindo estudantes, docentes e comunidade externa em um espaço de diálogo crítico sobre questões contemporâneas relacionadas à identidade indígena no Brasil.
O principal convidado do encontro foi o pesquisador indígena Porakê Munduruku, cuja participação promoveu reflexões sobre os desafios da autodeclaração e do reconhecimento identitário, especialmente entre indígenas em contexto urbano. Em sua fala, o pesquisador destacou o apagamento histórico vivido por esses povos e as disputas contemporâneas em torno da afirmação da identidade indígena em um país onde essa população representa oficialmente menos de 1% do total.
A roda de conversa problematizou sistema de cotas como política pública e seu papel como instrumento de justiça histórica. O debate estabeleceu conexões entre o passado legislativo excludente, exemplificado pela chamada “Lei do Boi”, e as demandas atuais dos povos originários, especialmente à luz de dados recentes que indicam que grande parte da população indígena vive fora de territórios demarcados. Questões como o direito às cotas, a invisibilidade dos indígenas urbanos e o papel da autodeclaração na garantia de direitos estiveram no centro das discussões.

A programação incluiu ainda a exibição do filme-manifesto “Quem quer?”, roteirizado por Porakê Munduruku, que aborda o silenciamento das identidades indígenas no Brasil. A obra reforça o papel da produção cultural como instrumento de resistência, denúncia e conscientização social.
Ao promover o encontro entre diferentes áreas do conhecimento e instituições, a atividade reforçou o compromisso da UFNT com uma formação acadêmica crítica, plural e socialmente referenciada, fortalecendo o debate sobre equidade, reconhecimento e justiça histórica no campo da educação, da ciência e da tecnologia.



