
Belém (PA) — A Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) participou, na última quinta-feira (19), do Painel Internacional bilateral “Bico do Papagaio: um projeto apresentado há 200 anos”, realizado no auditório do Espaço Inovação, no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá). O encontro teve como objetivo central discutir a criação da Estação de Monitoramento de Mudanças Climáticas do Bico do Papagaio, a ser implantada no município de Esperantina (TO), em uma área estratégica de transição entre Cerrado e Amazônia.
Pela UFNT, participaram o reitor, professor Airton Sieben; o vice-reitor, professor Nataniel Araújo; a pró-reitora de Pesquisa, professora Kênia Rodrigues; o diretor do INOVA-IN, professor Freud Romão e a professora Claudenice Romão. A delegação contou ainda com a colaboração dos tradutores Freud Júnior e Isabelle Romão. Representando a Universidade Estatal de Tyumen (UTMN) esteve presente o vice-reitor sênior, professor Andrei Tolstikov, além do professor Ruslan Proklov, vice-reitor adjunto da Universidade Estatal de Moscou Lomonosov (MSU). Também participou da agenda o diretor-presidente da Fundação Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, professor João Weyl.
Durante o painel, o professor Ruslan Proklov explicou que a proposta teve origem em uma iniciativa do governo russo inicialmente vinculada a demandas comerciais relacionadas a créditos de carbono no contexto europeu. No entanto, diante das mudanças no cenário político internacional, o projeto passou a assumir caráter estritamente científico. Segundo ele, a finalidade atual é produzir dados ambientais, climáticos e socioecológicos na Amazônia Oriental e na zona de transição com o Cerrado, com ênfase nos ciclos do carbono e na geração de conhecimento qualificado para o desenvolvimento sustentável.
Proklov destacou ainda que universidades e órgãos da Academia de Ciências da Rússia já dispõem de infraestrutura consolidada para estudos em “polígonos de carbono” e que a cooperação com instituições brasileiras amplia as possibilidades de uso dessa estrutura em redes internacionais de pesquisa. A expectativa é elevar o nível de produção científica conjunta e contribuir para políticas públicas ambientais baseadas em evidências.
Após a reunião no PCT Guamá, os representantes das instituições encaminharam a consolidação de um grupo de trabalho para viabilizar a implantação da estação e sua adesão ao sistema internacional de monitoramento climático. De acordo com o reitor da UFNT, a próxima etapa envolve o fortalecimento da parceria em rede com diversas entidades, incluindo a própria Fundação Guamá, o Parque de Ciência e Tecnologia, a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
Para Airton Sieben, o processo de internacionalização representa uma estratégia de fortalecimento dos centros regionais por meio da integração entre pesquisa, ensino e extensão. Segundo o gestor, parcerias com universidades amazônicas, nacionais e estrangeiras ampliam a produção científica local e estimulam pesquisadores diante dos desafios estruturais e orçamentários enfrentados pelas instituições públicas.
Sede do encontro, o PCT Guamá — iniciativa do Governo do Pará e gerido pela Fundação Guamá — é considerado um dos principais hubs de inovação da Amazônia, reunindo empresas e laboratórios voltados ao desenvolvimento de tecnologias de impacto social. A instituição será um dos eixos centrais da futura estação de monitoramento e integrará a rede internacional proposta. Para o professor João Weyl, sediar o evento reforça o papel da Fundação como Instituição de Ciência e Tecnologia comprometida com o fomento a soluções.
Com informações da Ascom Fundação Guamá
