
Imperatriz (MA) – Estudantes do curso de Pedagogia Intercultural Indígena (Panhi), vinculado ao Parfor-Equidade do Centro de Educação, Humanidades e Saúde (CEHS) da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), participaram nesta quinta-feira (08), de uma aula de campo no Centro de Pesquisa em Arqueologia e História Timbira (Museu CPAHT). A atividade integrou a disciplina Pedagogias Decoloniais, Contracoloniais e Temática Indígena, ministrada pela professora Silene Ferreira Claro, e contou com a participação de 30 estudantes indígenas.
A visita marcou a primeira participação de um grupo da etnia Apinajé no museu, conforme destacado pela equipe do CPAHT. O espaço abriga acervos e pesquisas sobre diferentes povos Timbira, incluindo os próprios Apinajé, e tem se consolidado como referência na preservação da memória indígena da região.
A aula de campo teve como objetivo ampliar a formação acadêmica dos estudantes por meio do contato direto com fontes históricas e arqueológicas, promovendo reflexões sobre memória, território, identidade e práticas educativas a partir de perspectivas indígenas, decoloniais e contracoloniais. A atividade também buscou discutir a importância de dar visibilidade aos saberes tradicionais e avaliar como esses conhecimentos são apresentados à sociedade não indígena.
Pesquisa, memória e território em diálogo
Os estudantes foram recepcionados pela arqueóloga Danielly Morais Rocha Marques e pela historiadora Ana Karolyne Santos Araújo, chefe da Divisão de Arqueologia do Museu CPAHT. Durante a visita, as pesquisadoras apresentaram o museu e explicaram os processos de pesquisa arqueológica desenvolvidos a partir de materiais encontrados nos territórios Timbira.

Na visita guiada, os participantes conheceram artefatos, registros históricos, artesanatos e narrativas que revelam os modos de vida, os saberes e as relações territoriais dos povos indígenas da região, reforçando a certeza de que seus antepassados habitam o território há séculos, ou mesmo milênios.
A experiência possibilitou a articulação entre os conteúdos trabalhados em sala de aula e práticas concretas de pesquisa e preservação da memória indígena, além de reforçar o papel dos museus como espaços de produção de conhecimento, diálogo intercultural e valorização dos saberes científicos indígenas, conforme apontam os teóricos da decolonialidade e da contracolonialidade.
Cantoria e vozes dos estudantes
Um dos momentos mais marcantes da atividade foi a cantoria realizada pelos estudantes no espaço dedicado à história e cultura Timbira. O gesto emocionou as pesquisadoras e reafirmou o museu como um espaço de memória viva, evidenciando a presença ativa dos povos indígenas na construção e interpretação de suas próprias histórias, além da importância da ocupação de espaços historicamente hegemônicos.
Para o estudante Gilvan Almeida de Sousa, a visita foi significativa por possibilitar “ver e conhecer mais da história, dos trabalhos, dos artesanatos e dos rituais de cada um dos grupos étnicos que formam os Timbira”. Já João Paulo Fernandes Apinajé destacou que a atividade contribuiu para “refletir sobre as memórias e conhecer mais sobre nossos ancestrais, saber como eles viviam”.

A aula de campo integra a proposta formativa do curso de Pedagogia Intercultural Indígena, que busca articular teoria e prática, universidade e território, fortalecendo uma formação docente intercultural, decolonial e socialmente referenciada. A experiência também motivou os estudantes a refletirem sobre a possibilidade de terem seus próprios artefatos exibidos e analisados no museu, além de inspirar a criação de lugares de memória em suas comunidades, dando visibilidade aos saberes científicos tradicionais nas práticas pedagógicas que desenvolvem e planejam para seus alunos e alunas.
