
Araguaína (TO) – O mês de abril é marcado pela campanha “Abril Azul”, dedicada à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesse contexto, o Observatório Norte, da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), tem atuado na disseminação de informações confiáveis, contribuindo para o combate à desinformação e ao preconceito ainda presentes na sociedade.
Com o aumento da visibilidade do tema, cresce também a circulação de conteúdos equivocados sobre o autismo. Diante desse cenário, o Observatório reuniu algumas das principais afirmações que circulam sobre o TEA, esclarecendo o que é fato e o que é fake, com base em evidências científicas e legislação vigente.
“Autista em crise não é sinal de falta de educação”
Fato. Crises sensoriais ou emocionais, também chamadas de “meltdowns”, não são birras nem falta de educação. Elas ocorrem quando a pessoa autista enfrenta sobrecarga sensorial, emocional ou dificuldade de comunicação. Interpretar essas situações como desobediência reforça preconceitos e invisibiliza as necessidades reais da pessoa.
“Pessoa autista tem direito à prioridade em filas”
Fato. No Brasil, pessoas com Transtorno do Espectro Autista são legalmente reconhecidas como pessoas com deficiência, conforme a Lei nº 12.764/2012. Isso garante direitos como atendimento prioritário em filas, acesso a políticas públicas e proteção social.
“Vacinas causam autismo”
Fake. Essa é uma das fake news mais persistentes, e também uma das mais perigosas. Não existe qualquer evidência científica que comprove relação entre vacinas e autismo. Pelo contrário, estudos amplos e revisões internacionais já demonstraram que essa associação é falsa. A disseminação desse mito contribui para a queda na cobertura vacinal e o retorno de doenças já controladas.
“O autismo tem cura”
Fake. O autismo não é uma doença, mas uma condição do neurodesenvolvimento. Portanto, não se trata de algo que precise ser “curado”. O foco deve estar no desenvolvimento, na autonomia, na inclusão e no respeito às singularidades de cada pessoa.
“O tratamento do autismo é multidisciplinar”
Fato. O acompanhamento de pessoas autistas envolve, em muitos casos, uma equipe multiprofissional, que pode incluir psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, médicos e educadores. Essa abordagem integrada contribui para o desenvolvimento da comunicação, autonomia e qualidade de vida.
“Fake news sobre autismo não causam prejuízos reais”
Fake. A desinformação tem impactos concretos. Ao reforçar estigmas, ela contribui para o preconceito, dificulta o acesso ao diagnóstico e compromete políticas de inclusão. Como apontam campanhas recentes de conscientização, combater fake news é parte essencial da promoção de direitos das pessoas autistas.
Campanhas como o Abril Azul reforçam que o conhecimento é um elemento central para a construção de uma sociedade mais inclusiva.
O diagnóstico precoce, o acesso ao cuidado especializado e a garantia de direitos dependem, em grande parte, de uma população bem informada.
