Por Eveliny Jácome
O curso de Pedagogia do Centro de Educação, Humanidades e Saúde (CEHS), da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT/Tocantinópolis), recebeu a pontuação máxima de 100 pontos, ficando em 18º lugar dentre as 189 propostas no processo de seleção para a oferta de cursos de licenciatura no âmbito do Programa Nacional de Fomento à Equidade na Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR-EQUIDADE).
O CEHS da UFNT foi mobilizado a apresentar uma proposta ao edital da CAPES pelas próprias lideranças, professoras e professores Apinajé com formação superior, os quais, em diálogo com um grupo de docentes do Curso de Pedagogia, assumiram o desafio de elaborar, em menor tempo, o Projeto Pedagógico do Curso de Pedagogia Intercultural Indígena (Panhĩ). A construção da proposta ficou sob a coordenação dos professores do Curso de Pedagogia: Prof.ª Aline Campos, Prof.ª Janaína Rezende, Prof. Thiago de Melo e Prof. Nonato Câncio; e contou com o apoio técnico do Prof. Nataniel Araújo, Vice-Reitor da UFNT; do Prof. Odilon Rodrigues, da Universidade Federal do Tocantins (UFT); do Pró-Reitor de Graduação da UFNT, Prof. Braz Batista Vaz; e de Ianed Sousa, Diretora de Regulação e Avaliação da Graduação da UFNT.
O objetivo principal do Curso de Pedagogia Intercultural Indígena (Panhĩ) é proporcionar formação inicial em Nível Superior para docentes indígenas, em Pedagogia Intercultural Indígena, para atuarem na docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1° ao 5° ano), bem como na gestão pedagógica, respondendo às demandas das comunidades indígenas Apinajé. Por meio da criação do referido curso a Universidade visa instituir um olhar mais atento às necessidades regionais, promovendo práticas educativas que elevem o nível de qualidade de vida da população.

O processo de construção do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) contou com a participação, em diálogos informais e reuniões sistemáticas, de lideranças Apinajé e professoras e professores Panhĩ das escolas indígenas, com destaque para o Prof. Júlio Apinajé, Prof.ª Rosilene Apinajé, Prof.ª Sheila Apinajé, Prof. Cassiano Apinajé, Prof.ª Andressa Apinajé, Prof.ª Maria Aparecida Apinajé, Prof. Emílio Apinajé, Prof. Silivan Apinajé, Zé da Doca (liderança) e Fabrício Apinajé (liderança), ligados ao contexto educacional indígena de Tocantinópolis e região.
A equipe de construção do PPC também teve o apoio da Superintendência Regional de Educação (SRE) de Tocantinópolis, que forneceu os dados da Educação Escolar Indígena (Educação Escolar Panhĩ) da 1ª fase do Ensino Fundamental (1º ao 5º). Esses dados são oriundos do projeto “Educação Escolar Panhĩ Apinajé: um olhar para Alfabetização bilíngue e intercultural”, que revelou a extrema necessidade de formação em nível superior aos professores indígenas, que correspondesse a uma dinâmica pedagógica mais promissora nas escolas Panhĩ, já que mais de 20 professores possui apenas ensino médio. Mostrou ainda que há um número reduzido de docentes com formação em nível superior atuando na área de Educação Intercultural, Magistério Indígena e Pedagogia.
Esse levantamento é resultado de estudos e pesquisas, coordenados e articulados pelo técnico indígena da SRE, Prof. Júlio Kamêr Ribeiro Apinajé, que atua nas questões relativas ao Currículo, Formação e Avaliação da Aprendizagem da Língua Indígena e Assessoria de Linguagem Panhĩ Kapẽr e suas Tecnologias; e também conduzidos pela Prof.ª Hélida Brilhante de Jesus Queiroz, Pedagoga e Coordenadora do Currículo da SRE de Tocantinópolis.
O projeto “Educação Escolar Panhĩ Apinajé: Um olhar para Alfabetização bilíngue e intercultural”, que tem a participação da Assessoria de Gestão Pedagógica Educacional, Supervisão Indígena e equipe de Currículo da SRE, é resultado do monitoramento, assessoramento e formação desenvolvidos na instituição, e envolveu as escolas Tekator e Mãtyk no diagnóstico apresentado. Com esses dados emerge também a necessidade de apoio e parceria interinstitucional para formar os professores Panhĩ em nível superior, a fim de atender às expectativas dos estudantes indígenas, de modo que estejam preparados para potencializar a cultura e a língua Panhĩ.
Com esses dados, a SRE de Tocantinópolis também contribui ao processo de construção do Curso de Pedagogia Intercultural Indígena (Panhĩ), principalmente porque tem buscado propiciar uma formação mais eficiente, e de acordo a área de formação de seus docentes. Trata-se de um momento histórico para a educação Panhĩ que, por meio do técnico indígena da SRE, vem conquistando outros espaços em busca de parcerias. Entre suas ações como técnico indígena, destaca-se o trabalhado desenvolvido de instruções pedagógicas ao Documento Curricular do Tocantins (DCT), adaptado à Educação Escolar Apinajé para os anos iniciais do ensino fundamental; o Projeto Educação Escolar Panhĩ; e o material de apoio pedagógico denominado “Método de alfabetização sociolinguístico e fonológico Apinajé na Língua Panhĩ Kapẽr”.
A conquista do Curso de Pedagogia Intercultural Indígena (Panhĩ) do CEHS/UFNT é, portanto, fruto de um trabalho coletivo articulado à realidade e às vivências do público a que se destina, e que reflete os objetivos e o empenho da UFNT de atender as especificidades dos povos da região, tendo em vista a multiculturalidade presente nesta porção norte do território estadual.
Link para acesso ao resultado: https://www.gov.br/capes/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/educacao-basica/parfor-equidade